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           Papo Jovem!

 

 

                                                 A busca de Deus na dimensão interior
                                                             Por: João Vitor Assis Tepedino

 

     Às vezes eu fico a observar a vida, as pessoas, as situações em que elas estão imersas, os problemas que as norteiam, e me coloco a imaginar como o existir seria tão mais fácil se, ao invés de procurarmos a solução dos problemas no mundo externo, a buscássemos no mais íntimo do nosso ser.

Como está escrito em Gênesis, somos feitos à imagem e semelhança do criador, mas, carregamos em nós, a mancha do pecado, que deforma o sopro divino que inalamos no primórdio de nossa existência. O pecado nos distanciou da imagem e semelhança do criador, à qual fomos feitos, refratando o reflexo de Deus que carregamos na essência de nosso ser. Desde então, tudo o que temos feito é tentar encontrar a felicidade, buscando o retorno ao estado divino em que fomos gerados, percorrendo o caminho da santidade, para, então, chegarmos à salvação, à vida eterna.

Nessa jornada, buscamos, na oração, uma forma de manter um contato mais íntimo com o Pai, diminuindo o vazio existencial que existe em nosso interior. Mas, na maioria das vezes, nossa oração não é plena. Quantas vezes nos pegamos a orar, silenciando o mundo que está à nossa volta, porém, perdidos na explosão de pensamentos que norteiam nosso interior e que, ligando-nos de volta ao mundo externo, nos impedem de contemplar em plenitude a figura do criador.  Por que será que é tão difícil silenciar os ruídos do nosso próprio interior, para que, assim, no patamar mais profundo da consciência, busquemos a essência divina que nos permeia? Por que temos tanto medo de nos encontrar consigo mesmos, de descobrir quão distantes estamos da imagem e semelhança do criador, em que fomos gerados, de nos confrontarmos com o divino latente em nosso ser e constatar quão deformado ele está nós? Será que é tão difícil saber que, somente conhecendo as nossas imperfeições e os seus mecanismos estruturais é que, um dia, poderemos aperfeiçoá-las? Como queremos orar, e buscar a cura para os nossos problemas se nos recusamos a estudar as estruturas imperfeitas que carregamos dentro de nós? Como queremos a cura, se nos recusamos a admitir que somos doentes? Como queremos banir o pecado que existe em nós se nos recusamos a estudar os mecanismos internos que o condicionam?

Por isso, com o escopo de fugir deste conflito entre o humano e o divino, existentes em nós, é que buscamos uma segurança e uma felicidade materializadas no dinheiro e nos bens. Buscamos calar o nosso interior imperfeito com as coisas externas, tentamos ludibriar a nós mesmos, querendo aquilo que é fácil, prazeroso, rápido e capaz, de por alguns instantes, nos fazer esquecer quem somos. Apenas não nos damos conta que, quanto mais fugimos de nós, nos afastamos também do Deus que é intrínseco à nossa natureza. Nos esquecemos que a busca de Deus é a busca do aperfeiçoamento do Eu.

Não acreditemos que a busca interior é fácil, mas, tão somente, que ela é possível e que pode nos levar a uma vida melhor, mesmo diante dos problemas e das tentações, porque, através dela, conseguiremos confrontar o nosso lado humano e o nosso lado divino, e, assim, aperfeiçoar o primeiro. Olhar para dentro é melhorar a si mesmo, tornando o nosso ser mais próximo do divino; é melhorar os nossos relacionamentos, tornando-os mais harmônicos; é melhorar a nossa motivação, nos dando força e coragem para viver e superar os problemas.

E, não nos esqueçamos, Deus nos conhece, e nos ama, apesar de todas as nossas imperfeições, e ele quer se deixar encontrar. Mas, para que isso aconteça, necessário um esforço da nossa parte.

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