Deus não se deixa
conhecer-se plenamente. Ele sabe que este conhecimento deve ser dosado ao
homem, para que, este, tome sempre a iniciativa em buscá-Lo nas mais
variadas formas do cotidiano e reconheça que de fato fomos escolhidos por
Ele.
Esta tarefa em conhecer a Deus, requer
sensibilidade de nossa parte, dinamismo e perseverança. A primeira nos leva
a atitude de humildade e ao autoconhecimento que revela o Deus criador em
nós, no mais íntimo de nosso ser. A segunda caracteriza-se pelas nossas
iniciativas: aquilo que expressamos aos outros (atitudes, responsabilidades,
caridade, acolhimento) e por fim e talvez a mais difícil, a perseverança,
pois é por ela que alcançaremos a coroa da vitória, para que possamos dar
bons frutos e sermos fiéis discípulos do Senhor (Jo 15,8-9).
Tudo isso nos leva a paz, proveniente do fato de
nos sentirmos amados por Ele. “Paz na terra aos homens por Ele amados (Lc
2,14)”. Esta paz torna-se algo bem próximo a nós porque fomos envolvidos
pelo Seu Amor e escolhidos por amor.
Neste processo de escolha, somos convidados a
responder com generosidade entregando-nos ao Senhor, para que Deus faça de
nós portadores de sua Palavra, a fim de lançarmos no mundo um olhar de
esperança e estarmos à inteira disposição Dele.
Esta ação pedagógica de conhecer a Deus é progressiva,
ou seja, parte de nós uma abertura também progressiva em sermos
participantes de uma verdadeira consagração. Um exemplo disso é o olhar de
Jesus quando escolheu Mateus (Mt 9,9). Invadido pelo olhar de Cristo,
deixou-se conhecer e tomou conhecimento Daquele que o chamou. Assim também
acontece com cada um de nós. O Senhor lança sobre nós o seu olhar e
retira-nos do meio dos homens para segui-Lo em total liberdade e
disponibilidade.
Portanto, sejamos dóceis e sensíveis a este processo de
conhecer o Senhor, certos de que devemos despojar dos nossos bens (Mt 19,
16-22) e vincular nossa vida àquele que nos escolheu, o único Absoluto,
Deus.